O goleiro Julio César e o zagueiro David Luiz, destaques na
vitória sobre os chilenos. Instabilidade emocional da seleção preocupa
No México 86 perdeu para a França nas quartas.
Nos Estados Unidos 94 ganhou o título na marca penal.
Na França 98 seguiu para a decisão e foi vice.
No Brasil 2014 a seleção de Scolari mais uma vez testou cardíacos.
Porque em um Mineirão fervente e tenso foram colocados na fogueira das penalidades 400 minutos para cada lado, nos quatro jogos disputados por brasileiros e chilenos no torneio.
E era o quarto encontro em mundiais com o Chile de Bravo. Ou o bravo Chile, como queiram.
O Chile jogou como nunca. Perdeu como sempre.
Mas caiu de pé depois de cozinhar os miolos dos brasileiros no caldeirão mineiro em sol escaldante.
Antes, foram 120 minutos de sofrimento para quem sabe ou não sabe os segredos, as regras, os encantos e desencantos do futebol.
Se houve entrega e superação, erros primitivos não faltaram. Os mesmos espaços escancarados no meio-campo para o adversário gostar do jogo surgiram no mediano time de Scolari.
O empate em um gol para cada selecionado foi suado e justo. David de joelho e cabelo a 18 minutos iniciais. Alexis Sanchez, 14 minutos depois, em falha infantil de Hulk e Marcelo, na faixa esquerda da até então eficiente defesa brasileira no jogo.
Quem poderia definir a peleja na etapa derradeira, sumiu, desapareceu, escafedeu-se.
Neymar e Oscar evaporaram na camisa canarinho.
O quarteto mágico chileno também virou éter.
As duas equipes foram ao limite extremo do cansaço físico e mental.
A prorrogação veio para extenuar de vez gente que corria atrás da bola. Porque de seleção não tinha sobrado mais nada, nem para brasileiros, nem para chilenos.
Eram bandos em busca de um lance fatal.
E foi a trave que salvou o Brasil em chutaço de Pinilla a segundos do juizão inglês acabar a agonia para começar outra.
E o Brasil a traves e barrancos chegou nas quartas...
Literalmente no chute errado de Jara, na penalidade decisiva.
Antes, não se pode esquecer daquele que de vilão desacreditado está virando herói, não por acaso, e sim por boas atuações: Julio César fez uma defesa muito difícil no tempo normal e pegou as penalidades de Alexis Sanchez e Pinilla na disputa final. Até as oitavas, tem presença destacada nesta copa do mundo
Este escriba, por exemplo, foi contra a convocação de Julio. Hoje fiz as vezes de um certo Luizito com a minha pobre língua.
Ressalte-se que o placar que imaginamos para o jogo, foi o placar dos tiros livres.
O time preocupante de Scolari segue na copa, mas está na marca do pênalti.
Deve uma apresentação que crave no seu torcedor a confiança de que chegará à final.
Esse time ou muda a forma de jogar e equilibra o lado emocional ou não ganha a copa.
A possibilidade do título de hexacampeão do mundo está em jogo.
E não pode bater na trave.
Foto: The Guardian

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