sábado, 21 de junho de 2014

O JOGO QUE NÃO TERMINOU

Miroslav Klose sai do banco e entra para a história. Iguala marca de Ronaldo: 15 gols 

Com dois gols para cada lado marcados em um segundo tempo eletrizante, Alemanha e Gana foram protagonistas de uma grande partida de futebol.
Mais um batia jogo desta copa do mundo no Brasil.
Aplacados por uma marcação forte, os alemães assistiram a uma bela jornada dos irmãos ganeses Jordan e Andres Ayew.
Curioso é que Jordan substituiu Kevin Prince Boateng irmão de Jerome, que vestia o uniforme germânico. Sim, os dois manos adversários, apagados, foram substituídos justamente quando a partida se transformou em espetáculo épico.
Os irmãos Boateng perderam de participar de mais uma bela página da história desta copa. O segundo tempo de Alemanha e Gana.
Por muitos sentidos e fatos um jogaço se constrói.
Para se fazer um jogaço, qualquer maneira de fazer gol vale a pena. E Mário Gotze, sabendo disso, fez o primeiro gol de joelho desta copa. Qualquer maneira de fazer gol sempre valerá
Para se fazer um jogaço tem que ter a marca dos craques, exibida no talento e na eficiência de Andres Ayew ao empatar o jogo sem dar tempo aos alemães de soltarem a respiração.
E olha que o segundo gol de Gana também foi histórico para Asamoah Gyan. O atacante não envergava a camisa três por acaso.
É o primeiro jogador do continente africano a marcar em três copas diferentes. Além disso, entre as seleções da África, só ele e o camaronês Roger Milla balançaram por cinco vezes as redes adversárias em mundiais.
E o gol era da virada. Era da explosão das estrelas negras em mais um contrataque eficiente do torneio.
Mas do outro lado tinham sete finais e três títulos mundiais simbolizados no uniforme. E um time recheado de estratégias.
Porque para se fazer um jogaço tem que ter cartas na manga. E a Alemanha de Bastian Schweisteiger provou isso com a entrada decisiva do seu melhor jogador.
Ele desarmou e desconstruiu ataques de Gana. Ele encaixou a arquitetura dos ataques alemães em passes precisos e avanços agudos pelos lados do campo. E foi assim que os alemães conseguiram o empate suado. Passe de Schweisteiger para Mezuit Ozil. Cruzamento. Ganeses afastam. Tiro de canto.
E para se fazer um jogaço tem que ter marcas históricas. O Castelão viveu um dos momentos mais aguardados desta edição de copas. A assinatura foi de um polonês naturalizado alemão que deixou um brasileiro de biquinho magoado. O ex-jogador Ronaldo Nazário, aquele que troca de opinião como troca de camisa.
Miroslav Klose alcançou a bela marca de 15 gols marcados em quatro copas do mundo. Foi o segundo e importantíssimo tento alemão.
Cambalhotas no Ceará.
Klose igualou a marca do secador Ronaldo que conclamou a torcida brasileira a segui-lo na sua grotresca e antidesportiva atitude. Não deu liga e agora, politicamente, "parabeniza" o seu algoz.
Para se fazer um jogaço tem que ter superação e os dois selecionados terminaram extenuados em campo, mas passaram a sensação de que queriam mais. Muito mais.
E foi esta impressão desse escriba que começa a imaginar até onde esta copa vai chegar.
Alemanha 2 x 2 Gana foi o jogo que não terminou.
Jogo? Por favor, mudem o titulo.
Jogaço!

Foto: Getty Images

3 comentários:

  1. Jogaço de futebol, Klose sai do banco e entra pra história... Se Gana fosse mais experiente sairia com o triunfo na minha modesta opinião... Bela crônica mestre Pastori

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  2. Paulinho, é a melhor primeira fase que tenho notícia em copas do mundo. Só tem jogão. Com pouquíssimas exceções.

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  3. Obrigada por me mostrar o segundo tempo do jogo, querido Pastori, que não vi por causa de uma "Malévola" que levou minha criança interna para o escurinho do cinema...rsrsrs... Pude sentir as emoções do jogo ao ler as tuas palavras...

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