Aos 45 do giro final, a salvação argentina Messi em arremate fatal. Na frente do Reza.
Dentro e fora da Argentina este pensamento é recorrente.
Defendido por aqueles que para ser craque, tem que brilhar em copas.
O brasileiro Zico, genial no Flamengo e regular em três edições do mundial, é um bom exemplo dessa tese. E que rende bons debates.
Na opinião desse escriba, Messi é craque e ponto. Mas não faz uma grande copa até agora, apesar dos gols salvadores para a sua seleção.
Nas duas partidas já realizadas pelos hermanos, Messi foi mediano. Mas mortal por ser craque.
Hoje em mais um espetáculo de latinidade nas arquibancadas do Mineirão, Argentina contra o Irã. Aos 45 minutos do giro final, Messi venceu o bravo goleiro Haghighi e deu a vitória em placar simples à Argentina.
Repetiu o roteiro, as passadas, a inclinação, o deslocamento diagonal e o chute no canto direito como fez contra os bósnios. Gol com a marca LM, literalmente.
Messi posicionado entre as linhas como passador e pensador, mas também como finalizador é a principal arma de Alejandro Sabella em momentos decisivos. Assim foi feito, principalmente no final do jogo. Assim veremos mais vezes.
Mas foi difícil, osso duro, para a Argentina. Tudo levava a crer que o caminho ficaria parecido como está o do Brasil na copa.
No primeiro tempo, se houve um domínio que beirava os 80% na posse de bola, na segunda metade da etapa final, o Irã assustou e muito.
Em uma das tentativas, o atacante Reza Ghoochannejhad, que joga na tereira divisão inglesa, venceu a irregular zaga argentina.
Na copa das tiradas, é irresistível: se a Argentina tem o papa Chico, o Irã tinha Reza.
Foi um dos melhores e surpreendentes lances da jornada, no qual o atacante iraniano quase provoca um milagre. Não fosse o toque salvador de Romero.
Estou dizendo que é a copa das tiradas?
Tiradas porque a vida é bacana. Reflexões porque esse é o nosso ofício.
Um provérbio iraniano diz que a verdade é como um espelho quebrado, cada um recolhe um pedaço e diz que a verdade está naquele caco.
A Argentina superou o Irã com tento solitário daquele que é a sua maior esperança. Venceu em chute certeiro um desperado Reza, dando uma de zagueiro.
E como acontece em tudo na vida, muitos só lembrarão do último suspiro no jogo bem mais ou menos dos sulamericanos no Mineirão. E decantarão Lionel Messi, como o máximo.
Por uma semana ou pela vida inteira.
Com cacos quebrados ou com a verdade nas mãos.
Foto: Clarín, Carlos Sarraf

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