E uma destroçada seleção portuguesa tem que agradecer por ter sido só 4x0.
Absolutos, os alemães não criaram o paredão defensivo esperado por alguns. Mas uma disposição coletiva e disciplina tática que será ainda observada em outros embates no torneio.
E que bom isso ocorrer frente à postura de um selecionado especialista em favorecer o individualismo e o servilismo no talento de um só jogador.
Não se ganha mais copas assim.
O futebol do novo século contempla o coletivo.
Olha, foi uma dura lição para os gajos.
Primeiro os comandados de Paulo Bento sofreram do “efeito Nishimura”.
O erro do árbitro japonês no jogo entre Brasil x Croácia está causando influências nada saudáveis.
Aos 10 minutos do primeiro tempo, o atacante Mario Gotze e o zagueiro João Pereira disputaram corpo a corpo na grande área portuguesa. O alemão desaba e o árbitro sérvio Milorad Mazic aponta a marca fatal.
Para este escriba não houve penalidade.
Thomas Muller começou sua bela história na Fonte. 1 x 0
A vantagem mínima escancarou o esquema de Joaquim Low. Samir Khedira, em baita jornada, distribuía jogadas para um trio que desconcertou a zaga portuguesa com Ozil, Muller e Gotze.
Alemães usavam a mente.
Portugal, a cabeçada: violenta, desleal do zagueiro Pepe, expulso.
Alemães, outra: mortal. Na bola. Mats Hummels 2 x 0
Aos 45, o golpe fatal: em falha de Bruno Alves, brasileiro naturalizado, Muller, em estado de graça, no rebote de Rui. Letal. Alemanha 3x0
Em um único tempo. A capital da Bahia era cruel com os patrícios e nem chegamos ao 2 de julho.
No giro final, a Fonte Nova em meia sombra já tinha uma seleção vencedora.
Mais meia hora e novamente ele. Thomas Muller, com faro característico, completou cruzamento de Andre Shurrle, depois de furada do defensor português. Conta fechada.
Portugal perdeu e muito: o jogo por quatro gols e três atletas importantes para o próximo confronto. Pepe, Coentrão e o bigodudo Hugo Almeida
Cristiano, o Ronaldo, cumpriu jornada bem abaixo do que esperava a bela fã que recolheu a bola, em cobrança pífia de falta, na colorida arquibancada baiana.
Há de se preocupar o mais otimista dos lusitanos para o futuro da sua equipe na vigésima copa do mundo.
Antes do embate na Bahia, uma das pré reportagens sobre o encontro de alemães e patrícios mencionava a opção de Low em escalar defensores de ótima estatura para encarar o Cristiano. O rapaz teve a idéia infeliz de qualificar os zagueiros germânicos grandalhões com a expressão estúpida de “Muro de Berlim”. Um sinônimo de derrota e cisão de um povo que reconstrói sua identidade social, independentemente de opção ideológica, jamais pode manchar este selecionado. Único que conquista a cada passagem a simpatia e a autenticidade dos seus atletas.
Metáfora para essa equipe?
Fico com a trilha de Westweg. É uma das mais fascinantes caminhadas da belíssima Floresta Negra na Alemanha...
Onze paredões da natureza de paisagem magnífica e desafiadora.
E tudo por lá começa em um vilarejo chamado de cidade do ouro.
Por aqui, apesar de maltratada e sem a identidade cultural de outros tempos, a Salvador ensolarada sempre será fonte de inspiração.
Foto Patrik Stollarz/AFP

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