Faltavam trinta e poucos dias para a estreia da seleção brasileira em 1970 e uma reportagem de comportamento com os jogadores convocados saía em uma das principais revistas da época. A pautinha trazia a expectativa (ah essa palavrinha para a principal pergunta mediocre do mundinho da bola, não?) dos atletas quanto ao futuro. O que fariam, caso conquistassem a Jules Rimet?
Perfis esperados como o de Jairzinho decretavam: “É buscar a independência financeira”. Outros como o do xerifão Brito entregavam: “o presidente Médici me prometeu um ponto da Loteria Esportiva”.
12 de junho de 2014. As frases dos tricampeões mundiais podem soar estapafúrdias ou reveladoras 34 anos e alguns dias depois.
Bem pagos, comissão técnica e jogadores brasileiros atuais já possuem independência financeira de cifras planetárias e não representam um país sob o sabre ou o coturno de uma ditadura.
Bem longe da elegia patriótica misturada a paixão pela bola que moviam o torcedor das arquibancadas a partir do primeiro título mundial brasileiro, o selecionado milionário de Luiz Felipe Scolari não tem lugar cativo nesse coração imaginário da torcida brasileira. Não cabe naturalmente.
Bem cedinho estive hoje nas banca de frutas, na barraquinha da água de coco e, claro, bati aquela prosa com nosso Beto da Banca.
Correndo a vista pela manchetes das revistas, ouvia o barulho dos carros levando bandeiras brasileiras, passavam por mim baianos e afins indo para o ponto de ônibus, envergando amarelinhas. E este escriba correndo à vista pelas manchetes das revistas e dos jornais. “A copa dividida”, amedontrava uma, Felipão, o novo Ceo”, pararicava outra.
Beto, o da banca, sempre espirituoso e antenado, ainda me alcançou com uma derradeira pergunta, antes de seguir o caminho de casa:
- Esse pessoal acha que sabe tudo. Erram o nome do céu e esse tal de Felipão ainda nem conquistou o título?
E passavam os carros com suas bandeiras e aquela gente nos passeios públicos em verde e amarelo pisando o calçadão.
Onde ainda cabe a copa?
No coração desse torcedor verdadeiro.
Ele ainda existe e chegou a hora.

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