O Chile do irrequieto Jorge Sanpaoli deu nó tático em um esquema que já tinha se aposentado e não sabia. No relógio do tempo, o tic tac espanhol parou de vez. E veio da cordilheira com assinatura dos pampas o réquiem para o time do velho Del Bosque. Gols de Vargas e Aranguiz. Chile 2x0. E só bastou um giro de 45 minutos.
Chile 1x 0, em belíssimo contrataque. Xabi Alonso erra, Aranguiz puxa a resposta chilena, Sanchez desconcerta Sergio Ramos e passa, Vargas dribla Casillas e não perdoa
Falha do Xabi. Espanha em Xeque.
Chile 2 x 0. Finalzinho do primeiro tempo, falta perigosa na entrada da área espanhola. Sanchez bate com categoria Casillas em nova falha na copa, rebate para frente, erra. Aranguiz, não.
Um Maracanã rojo, latino & ibérico. Um Maracanã a traduzir injustiças excludentes. Centenas de chilenos a quer ver o jogo. A forçar a barra do ingresso caro, da revolta ao erro. O da invasão. Da prisão de 85 deles, com a ameaça de deportação. A copa arde.
Mas eu não canso de lembrar daqueles mineiros de San Jose em 2010.
Setenta dias soterrados a 688 metros de profundidade. Sobreviventes, símbolos da coletividade. Heróis.
Os 33 mineiros gravaram um vídeo de incentivo inspirador, para esses rapazes que estão correndo atrás da bola no Brasil.
Entre eles, estava um ex-jogador da seleção chilena de futebol. O meia Franklin Lobo Ramirez. David Vila, reserva no jogo de hoje, mandou duas camisas do Barcelona autografadas, à época. O pai e o avô de David eram mineiros.
Desconheço melhor simbologia na história recente do futebol.
Um Maracanã foi palco do fim e de um começo. Um estilo a quedar-se. Uma latina esperança nascente.
Do subsolo ao pico da cordilheira. A odisséia está em curso.
O mundo é uma bola e o futebol é espetacular.
Adiós, España, gracias. Viva, Chile, arriba.

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