domingo, 15 de junho de 2014

O ARQUITETO ENCANTA NO PULMÃO DO MUNDO

Andrea Pirlo comandou a vitória da Azurra sobre a Inglaterra em Manaus

A pedra fundamental do Teatro Municipal de Manaus completou 130 anos em 2014. É o maior símbolo de uma dos ciclos econômicos mais exploradores da história brasileira. O da borracha. 
Muito similar ao que o Sul da Bahia passou com os barões do cacau. 
Milhares de trabalhadores brasileiros foram "sugados" até o talo para retirar o leite sagrado dos seringais. A exploração gerou a riqueza, que gerou a opulência e a ostentação sob o viés cultural. 
O belíssimo teatro é uma marca dessa época. Foi construído por uma babel européia. Operários ingleses e um artista italiano estavam lá. 
Domenico de Angelis foi o responsável pela assinatura da Sala Principal em 1899. 
Cento e quinze anos depois, em outra marca de opulência dos tempos contemporâneos, um novo artista italiano desfilou toda a sua genialidade. E jovens "operários ingleses" da bola tentaram conter a maestria de sua arquitetura sem sucesso. 
A grandiosa, bela e faraônica Arena Amazônia assistiu ao grande embate tático da copa do mundo até agora. A Itália superou a Inglaterra em 2 x 1, com tentos marcados por Marchisio e Balotelli. Sturridge descontou para os Lions. 
Desfilamos aqui a entrega e a boa jornada dos autores dos gols e ainda de Candreva pela Azurra. Rooney e Sterling pelos ingleses. 
Mas foi Andrea Pirlo o grande arquiteto do melhor entre os melhores jogos do início deste mundial. Com 35 anos e um preparo esplêndido para encarar o peso do pulmão do mundo, o "Arquiteto" desconstruiu falsa imagem de uma Itália defensiva e bruta. A esses que imaginaram, Compassos em passes. Mais que maestria, arquitetura. 
O desenhar dos deslocamentos, a tomada dos espaços com a elegância de esboços invisíveis aos olhos de quem o assistia. 
Muitos podem considerar castigo aquela cobrança de falta não ter alcançado a rede de Hart. 
Ficarei com a inversão do impreciso, a curva inesperada e o detalhe intruso da trave, como tantas foram as obras de arte assinadas pelos mestres da bola ou do pincel que ficaram suspensas pela dúvida de onde ali estaria o erro.

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