Andrea Pirlo comandou a vitória da Azurra sobre a Inglaterra em Manaus
Muito similar ao que o Sul da Bahia passou com os barões do cacau.
Milhares de trabalhadores brasileiros foram "sugados" até o talo para retirar o leite sagrado dos seringais. A exploração gerou a riqueza, que gerou a opulência e a ostentação sob o viés cultural.
O belíssimo teatro é uma marca dessa época. Foi construído por uma babel européia. Operários ingleses e um artista italiano estavam lá.
Domenico de Angelis foi o responsável pela assinatura da Sala Principal em 1899.
Cento e quinze anos depois, em outra marca de opulência dos tempos contemporâneos, um novo artista italiano desfilou toda a sua genialidade. E jovens "operários ingleses" da bola tentaram conter a maestria de sua arquitetura sem sucesso.
A grandiosa, bela e faraônica Arena Amazônia assistiu ao grande embate tático da copa do mundo até agora. A Itália superou a Inglaterra em 2 x 1, com tentos marcados por Marchisio e Balotelli. Sturridge descontou para os Lions.
Desfilamos aqui a entrega e a boa jornada dos autores dos gols e ainda de Candreva pela Azurra. Rooney e Sterling pelos ingleses.
Mas foi Andrea Pirlo o grande arquiteto do melhor entre os melhores jogos do início deste mundial. Com 35 anos e um preparo esplêndido para encarar o peso do pulmão do mundo, o "Arquiteto" desconstruiu falsa imagem de uma Itália defensiva e bruta. A esses que imaginaram, Compassos em passes. Mais que maestria, arquitetura.
O desenhar dos deslocamentos, a tomada dos espaços com a elegância de esboços invisíveis aos olhos de quem o assistia.
Muitos podem considerar castigo aquela cobrança de falta não ter alcançado a rede de Hart.
Ficarei com a inversão do impreciso, a curva inesperada e o detalhe intruso da trave, como tantas foram as obras de arte assinadas pelos mestres da bola ou do pincel que ficaram suspensas pela dúvida de onde ali estaria o erro.

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