Edição on-line do jornal espanhol Marca após a goleada holandesa em Salvador
A fonte, o dique, a mão cheia ou
o dia que Salvador virou Amsterdã
Iniesta, antes de entrar no gramado da bela Fonte Nova, mostrou o que se espera dos craques: concentração.
Pelé era mestre até nisso.
Concebia, articulava, desenhava antes do embate o que iria fazer nas quatro linhas.
Certamente, Andrés recebeu a informação de que jogaria em local amigo, fraterno, cofrade. Não foi bem assim.
A Fonte estava mais laranja do que roja na sexta amena baiana.
Para completar, os holandeses tiravam um chinfra com uniforme made in Bahia. Não o estado, mas o clube.
E a vítima escolhida era óbvia.
Com uniforme espanhol, o atacante Diego Costa, de Lagarto (SE) muito querida por esse escriba, era vaiado por torcedores. E foi o tempo inteiro.
Aos 25, Diego protagonizava mais um dos erros de arbitragem nesta copa do mundo. Cai, se esparrama ante a carga do zagueiro De Virj após belo passe de Xavi Hernandez.
Foi o que fez no jogo.
E foi mais um erro de um cidadão com o apito.
Desta vez do italiano Nicola Rizzole.
O quarto em lances capitais, em três jogos realizados.
Xabi Alonso calou os incríveis oranges, curiosa maioria em uma Salvador que é famosa por sua colônia espanhola. 1 x 0 Fúria.
É certo que a Holanda só levava perigo à meta espanhola em lance único na etapa primeira. Passe de Robben, Sneidjer tocou com categoria e Iker Casillas fez estupenda defesa.
Mas o filósofo já dizia: o jogo só acaba quando termina.
No finalzinho do belo primeiro tempo, a resposta ao tic tac veio em quatro toques.
A boa visão de Cillessen encontra Blind livre na ponta esquerda do meio campo. O ala do Ajax faz um lançamento a La Gerson, o canhotinha. Falhas de Azpilicueta e pegando a dupla Piqué e Sergio Ramos em, digamos pantalones cortos.
Em quarenta metros, a bola viaja à cabeça de Robin Van Persie em belíssimo gol.
O Blind vai aparecer de novo. E o buraco espanhol também.
Na etapa final, os “laranjas azuis” formaram um rolo compressor. Pontuais em sequência com intervalo menor que dez minutos.
Aos 7, Arjen Robben recebeu novo e milimétrico lançamento de Blind, o melhor em campo. O atacante do Bayern se livra de Piqué e Sergio Ramos e vira: 2x1
Aos 13, Abatida, a seleção espanhola viu Van Persie, em impedimento não marcado, acertar um petardo na trave de Casillas.
Aos 19, em falta sofrida por Blind – olha o cara! – e pelo mesmo lado esquerdo, cenário da construção dos outros dois tentos, veio o terceiro gol.
Sneidjer, em cobrança que poderia ter feita com a mão, desmonta a atrapalhada zaga espanhola e o gol vem do zagueiro “culpado” da penalidade inventada. DeVirj, 3x1
E tinha mais.
Aos 26, uma falha grotesca de Casillas, segundo tento, desta vez com raça e esperteza de Van Persie.
O tic tac espanhol caia de quatro. Mas cabia a mão cheia:
E foi para mudar a história.
Aos 34, um contrataque, uma seta chamada Arjen Robben, marca o quinto, deixando Sergio Ramos e Casillas estirados, entregues, batidos.
E poderia ser seis, sete, oito...
Com o perdão do trocadilho, se a Holanda teve Blind, a blindagem tática espanhola de Iniesta, Xavi & Cia. capitulou na Bahia. E feio.
Os comandados de Louis Van Gaal se divertiram em uma Fonte laranja à beira do Dique do Tororó, construído por holandeses.
E olha que os espanhóis jogaram de branco.
E Salvador vai virar Amsterdã um dia, em uma sexta à noite.

Nenhum comentário:
Postar um comentário