Scolari deixou analistas preocupados com clima "inseguro" na última coletiva: matreirice?
Transcrevo parte peculiar a este belo momento do futebol para iniciarmos essa prosa.
Estava lá:
“Mas eu não canso de lembrar daqueles mineiros de San Jose em 2010.
Setenta dias soterrados a 688 metros de profundidade. Sobreviventes, símbolos da coletividade. Heróis.
Os 33 mineiros gravaram um vídeo de incentivo inspirador, para esses rapazes que estão correndo atrás da bola no Brasil.
Entre eles, estava um ex-jogador da seleção chilena de futebol. O meia Franklin Lobo Ramirez. David Vila, reserva no jogo de hoje, mandou duas camisas do Barcelona autografadas, à época. O pai e o avô de David eram mineiros.
Desconheço melhor simbologia na história recente do futebol.
Do subsolo ao pico da cordilheira. A odisséia está em curso.”
Retornando a nossa prosinha neste sábado mágico, as "Minas Geraes" recebem esse espírito andino e uma seleção valente para enfrentar os brasileiros na partida que abre as oitavas de final da vigésima copa do mundo.
O Brasil vai enfrentar a segunda equipe que mais desarma no mundial.
O Chile do técnico argentino Jorge Sanpaoli só perde até agora para os costarriquenhos em quesito crucial deste torneio.
Porque se esta é a copa das goleadas, das viradas, também é a copa dos contra-ataques.
E quem desarma e ganha a posse de bola, contra-ataca, caras coradas. A tática é óbvia e ulula.
O erro zero pregado por Luiz Felipe Scolari durante as preleções nos últimos dias é direto a esse ponto.
Na primeira fase foi o ponto fraco brasileiro. Os buracos deixados pelos laterais e na faixa intermediária da defesa pela nulidade de um dos meias defensivos não podem se repetir diante da habilidosa linha de frente chilena. Aránguiz, Vidal, Vargas e Sanchez. Que vira sexteto muitas vezes com o apoio dos alas Isla e Mena. Fernandinho ganhou confiança e joga. Daniel, garantido, e Marcelo vão precisar jogar muito mais do que jogaram na fase inicial.
Como o time canarinho inteiro.
Mas é para essa cruzada andina no ataque que faz o gaúcho Scolari dar sinais de matreirice. Como fez o seu colega holandês van Gaal, no partidaço que a Holanda derrubou o Chile.
Matreirice gaúcha?
Ou inspiração mineira?
Guimarães Rosa costumava dizer que ser mineiro, entre outras coisas, é não dizer o que faz, nem o que vai fazer. É fingir que não sabe aquilo que sabe não é dar rasteira no vento e só arriscar quando tiver certeza.
“Ser mineiro é ter simplicidade e pureza, ter humildade, modéstia, coragem e bravura, e elegância”, definia o mestre.
Os mineiros e o mundo assistirão a um espetáculo de futebol.
Que o vencedor se valha dessas inspirações.

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