domingo, 22 de junho de 2014

RAIS, CAMUS E A BELEZA DO FUTEBOL EXISTIR



O futebol fascina por surpreender.
O que esperar de um domingo à tarde de junho em uma copa do mundo realizada no Brasil?
Se você, amigo leitor, respondesse “Argélia x Coreia do Sul”, certamente alguns apressadinhos recomendariam um termômetro ou um exame de sanidadade. 
E com toda a certeza não acompanhariam este escriba em um dos mais divertidos duelos deste, aí sim, torneio cada vez mais doido.
Porque a Argélia, ao golear a Coréia do Sul tirou 32 longos anos de jejum de vitórias em copas e ainda encaminhou uma classificação inédita.
E porque a rede balançou seis vezes no embate onde honra e emoção se misturaram ao ofício em campo. 
A Argélia com seus filhos que geraram para o mundo um certo Zinedine Zidane, deu ao público do Gigante da Beira Rio um recado que não estão para brincadeira.
Na virada de tempo, em onze finalizações contra nenhuma do adversário, já venciam por 3x0.
No final, bateram coreanos instáveis por 4 x 2, com direito a um golaço do bom Brahimi, em ótima construção saída dos pés de Feghouli. 
Certa vez em 1949, o primeiro pedido que o jornalista e filósofo Albert Camus fez aos seus cicerones, em visita ao Brasil, foi que o levassem a uma partida de futebol.
Uma tuberculose temporarária impediu que o mentor do existencialismo seguisse outra carreira. A de goleiro. E quem o viu em ação dizem que jogava muito bem. 
Hoje, uma das mais belas defesas deste mundial foi pintada por Rais M’Bohle, franco/argelino tal qual o Camus. 
Decisiva em momento crucial. 
Porque os coreanos chegaram a esboçar reação. Absurdo seria, mas de absurdos a Argélia de Camus conhece bem. 
Como absurdo é pensar que em um domingo à tarde, o jogão seria protagonizado por argelinos contra coreanos.
E foi.
E foi também um espetáculo da entrega de dois selecionados, que se não forem lá para a beira das decisões, cairão de pé. 
Porque finalmente “o que eu mais sei sobre a moral e as obrigações do homem devo ao futebol”.

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