segunda-feira, 23 de junho de 2014

COM PÉS NO CHÃO POR UM BELO HORIZONTE

  Para muitos, a copa começa agora. Seleção confia no  talento de Neymar  e não pode errar 

Em 1974, o Brasil precisava ganhar por uma diferença de três gols a medíocre seleção do Zaire, hoje república do Congo, para avançar na Copa da Alemanha.
Aos 34 minutos do segundo tempo, o gol salvador de Waldomiro, ponta arisco do Internacional, fez a conservadora comissão técnica da época respirar aliviada.
40 anos e um dia depois, a situação foi parecida. À frente a fraquíssima seleção de Camarões. Aos 38 minutos do segundo tempo a seleção de Luiz Felipe Scolari, vencia por 3x1. No outro jogo do grupo, que ocorria simultaneamente, o México chegava a 3x0 sobre a Croácia e empatava com os brasileiros no saldo de gols. Não havia o perigo da desclassificação, mas deixaria a seleção de Scolari em caminhos perigosos. Mais um tento mexicano e o Brasil iria enfrentar a Holanda nas oitavas de final.
Mas aí houve um novo respiro de alívio  que poucos viram no estádio Mané Garrincha, em Brasília. O de Carlos Alberto Parreira, pertencente as duas comissões, a de 1974 e da atual, e coadjuvante dos dois episódios similares.  
A história mudou com um golaço, marcado por quem rendeu a melhor notícia da jornada candanga desta vitória brasileira. A entrada de Fernandinho. O meia do Manchester City depois de construir a jogada do terceiro tento, desencantado por Fred em condição legal, assinou uma pintura em belíssima triangulação com o mesmo Fred e o brigador Oscar.     
Se a tarde foi de Neymar em estupenda atuação e dois gols marcados, foi o jogo para dobrar a teimosia de Scolari na insistência com a má fase de Paulinho.       
Se Neymar foi o dono do jogo, Fernandinho é o mentor da vaga. 
Foi também jornada para ver David Luiz em belas assistências e lançamentos, mas para ficar atento em falhas defensivas e espaços abertos na faixa intermediária, permitindo o avanço adversário sem combate algum. Isso permite ataques e contra-ataques adversários normalmente com alas acionados. Cruzamentos e assistências eficazes são comuns.    
Lá em 74, como se sabe, a seleção brasileira seguiu na competição bateu alemães orientais, argentinos e parou no carrossel de Hendrik Johan Cruyff & Johan Neeskens com uma verdadeira aula de futebol contemporâneo dada pelos holandeses em uma noite gelada. Os tricampeões mundiais, à época, caíram nas semifinais por 2 x 0.
Antes do vexame de Dortmund, o mediano treinador Mário Jorge Lobo Zagalo afirmava: O time deles é bom, mas os holandeses não têm tradição em Copas e isso pesa. A Holanda não me preocupa."
Deu no que deu.
Aqui em 2014, Nesse sábado decisivo também para os holandeses, Johan Cruyff, o craque que calou a boca do “Lobo” chamava a atenção do técnico Louis Van Gaal para o seu selecionado começar a jogar o bom futebol. Van Gaal aplicou dois botes no Chile e conquistou o primeiro posto do seu grupo.
Enquanto isso, os membros da comissão técnica brasileira, Scolari e Parreira, se não desfilam espetáculos da soberba de um Zagalo, dão declarações como se estivessem acima do bem e do mal ou em outro planeta.
O mesmo conselho do Cruyff para van Gaal pode ser dado para Luiz Felipe e Parreira. Os dois treinadores brasileiros chegaram ao absurdo de afirmar que a bizarra seleção camaronesa era candidata a outra vaga do grupo. 
Camarões virou perigo por obra de erros brasileiros.
O Chile é perigoso pelo futebol que joga.
Depois do centésimo jogo brasileiro em mundiais, onde o centésimo gol desta copa louca foi marcado ainda na fase de grupos e por um camisa dez, chegou a hora. 
Foi o último dos embates brasileiros onde se podia errar.
Agora o futuro da seleção de Scolari será lançado em Belo Horizonte. 
Para confrades que amam o futebol, a copa começa agora. E o local não poderia ter nome mais apropriado.

Foto: Pixatlon/SIPA

3 comentários:

  1. Neymar é espetacular!!! É claro, que não há jogador no mundo que repita boas performances em todos os jogos, nem que resolva partidas sozinho... Achei o segundo tempo do Brasil bom, o melhor do time até agora na Copa. O gol de Camarões foi uma falha geral da defesa. Daniel Alves me preocupa... Por outro lado, a apatia de Paulinho é notória. Para mim, Fernandinho não sai mais do time... Bora, Brasil!!!
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  2. Neymar segue com uma espada sobre a cabeça, o cartão amarelo, periga sair nad quartas ou na semi. Como ficaríamos sem ele?

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  3. Eduardo, essa dependência não é nada legal. E passa a ideia, não posso afirmar porque não acompanho na Granja, mas o grupo me parece instável emocionalmente. A ascendência e o carisma de David Luiz e a "publicidade" do Hulk deve estar afetando "meninos mimados"como Daniel Alves e o próprio Neymar. Espero que esteja errado. Mas esse circo vazio e vaidoso não leva a lugar nenhum.

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