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sábado, 5 de julho de 2014

A COPA NÚMERO UM

Louis Van Gaal abraça sua arma secreta para disputa de tiros livres. Tim Krul defende 
duas vezes e leva Holanda às semifinais contra a Argentina, reedição da final de 1978. 

Na copa de 1990 o ótimo goleiro Luis Conejo, da Costa Rica, foi eleito o melhor da posição ao lado do argentino Goycochea.
24 anos depois, o seu pupilo Keylor Navas, se não repetir o feito do mentor Conejo, vai estar presente em uma almejada galeria de mundiais. A dos grandes goleiros.
Nesta copa número um, você pode escolher: Tim Howard (EUA), Júlio Cesar (Brasil), Ospina (Colômbia), Courtois (Bélgica), Neuer (Alemanha), Bravo (Chile), Ochoa (México) e, óbvio, Keylor Navas, da valente e invicta Costa Rica.
Difícil a escolha, não é?           
Como é difícil ser goleiro nesta vida.
Porque vale sempre repetir uma velha paródia: 
Vida de goleiro é difícil, é difícil como quê... 
Difícil e injusta.
Como o futebol e suas múltiplas possibilidades.
Com os teus encantos cruéis.
Foi assim com o ótimo arqueiro costarriquenho.
Não é exagero descrever o duelo de 120 minutos entre Holanda e Costa Rica de um time contra um homem só.
Navas simplesmente fechou o gol diante de um esquadrão laranja montando por Louis Van Gaal. 
Foram três atacantes no primeiro tempo: Arjen Robben, Van Persie, autênticos, e Sneidjer, meia avançado.
Aos 30 do segundo tempo, o estrategista holandês tira o meia Depay e coloca Lens, o quarto atacante.     
Na virada de tempo da prorrogação, não teve conversa: remontou sua equipe, arriscando o quinto homem de área, Huntelaar sacando o zagueiro Mathias Indi.
E foi uma saraivada de ataques quando não defendidos, bola batendo nas traves, salva por zagueiro em cima da linha. Sacos e sacos de laranjas e Navas dando boas novas:
- Aqui não passa nada!. 
Para esse escriba, não foi o melhor 0 x 0 que assistimos. Até porque só um selecionado atacou. Mas foi bom de ver o Navas, em luta solitária pela sua Costa Rica. Foi bom de ver o amplo repertório tático dos ataques holandeses.
Bom de ver Robben jogar.
E, antes de tudo, para se ter um vencedor justo na ciência das quatro linhas, é sempre bom de ver um treinador inteligente no banco de reservas.
Já escrevi sobre Louis Van Gaal no nosso Café na Copa.
O técnico holandês já utilizou 87% dos seus 23 jogadores escolhidos para o mundial.
No último minuto da prorrogação, Van Gaal colocou o seu vigésimo atleta convocado para entrar em campo.
O terceiro goleiro, Tim Krul com seus 1,93m e uniforme verde.
Uma mudança arrojada, corajosa de Van Gaal.
Madura.
Vale ressaltar: o titular Cillisen se saiu contrariado, mudou de ideia rapidinho. Krul, goleiro do Newcastle, é especialista em cobranças de penalidades. Era carta na manga para as cobranças dos tiros livres.
O estilo de Krul lembra muito o de Waldir Peres, goleiro do São Paulo e da seleção nas décadas de 1970 e 80.  O goleiro malandro, iconoclasta, abusado e... pegador.
E foram as excelentes defesas frente às tentativas de Bryan Ruiz e Umaña que garantiram a ida da Holanda para as semifinais de uma copa do mundo pela quarta vez.   
A despedida da Fonte dos Gols da copa foi em uma tarde de goleiros.
Claro, uma tarde número um.
Viva Navas.

Foto: Sergio Moraes/Reuters 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

CONTAGEM PROGRESSIVA


 Restaram quatro seleções latinas e quatro europeias na luta pela taça. E não há favorito   

Faltam dez dias para o fim da vigésima copa do mundo de futebol.
Entramos na fase aguda da competição com a disputa das quartas de final.
Oito seleções estão na briga, entre elas quatro campeãs mundiais.
E não há favoritos.
Só para se ter ideia do tamanho do equilíbrio, nada menos que três finais de copas anteriores podem se repetir nas partidas semifinais desta edição.
A de 1978, Argentina x Holanda. Brasil x França em 98 e Brasil x Alemanha em 2002.
A seleção alemã entra para a história com mais uma participação nas quartas. Será a décima sexta consecutiva, um recorde em mundiais. 
Mas o dado só serve para dar charme em texto.
Repito, não há favoritos.
O equilíbrio continua na origem dos selecionados.
Quatro europeus.
Quatro latinos.
Colômbia e Costa Rica sonham com classificação inédita.
A Bélgica já alcançou o quarto lugar em 1986.
A Holanda quer deixar de ser vice.
Brasil, Alemanha, Argentina e França juntos acumulam 11 títulos mundiais. 
Faltam dez dias.
Dez dias, oito jogos imprevisíveis.
E a contagem é regressiva?
Nunca foi.
É progressiva. 
Degrau a degrau até o topo.
E lá estará um campeão erguendo a taça. 

domingo, 29 de junho de 2014

NEM O FILÓSOFO NEM O DOUTOR MERECEM.

Keylor Navas defende cobrança de Gekas e abre caminho para classificação da Costa Rica

Nós podemos até ser simpáticos e pacientes, mas certas partidas de copa do mundo nem deuses gregos salvam.
E se partir para a filosofia, amigos, o pobre Sócrates que disse um dia – “as pessoas precisam de prudência no ânimo e vergonha na cara” – se estivsse vivo, faria tremer as velhas pilastras que ainda resistem no velho Parthenon.
Porque não tem silêncio na língua certo, para completar a frase, com o perdão dos velhos Sócrates. O citado filósofo e o saudoso Brasileiro de Oliveira: 
- Oh partidazinha sem-vergonha essa entre as surpresas do  mundial.
Se muitos torciam por mais trinta minutos de Holanda e México, que não foram jogados, outros tiveram que aguentar os 120 com futebol de quinta que a Grécia e a Costa Rica apresentaram.
A exceção da pelada na Arena Pernambuco foi o goleiro Keylor Navas.
Quem assistiu ao campeonato espanhol e prestou um pouco de atenção além dos elencos de Real Madrid e Barcelona, lembrará das belas atuações do goleiro costarriquenho defendendo as cores do Levante.
Entre os jogos das últimas rodadas do Espanhol, figuram estupendas atuações de Navas nas vitórias do Levante sobre o campeão Atlético de Madrid e o rival Valência.
Registro aqui o fato que a Costa Rica segurou a vitória no tempo no normal com gol torto de Bryan Ruiz até o finalzinho.
Sokratis Papastathopoulos, o zagueiro do Borussia Dortmund empatou a pelejinha no apagar dos holofotes. Que iluminavam apenas o bom Navas em milagres operados frente a um cidadão chamado Mitroglous nos dois momentos finais do jogo. Do tempo normal e da prorrogação.
E quiseram os deuses, certamente dos ameríndios, que o bom Navas fosse personagem principal na classificação costarriquenha.
Foi dele a defesa que deu vantagem nas cobranças à Costa Rica.
O zagueiro Umanã garantiu a vaga inédita das quartas de final convertendo a quinta cobrança. 5 x 3
Não deu para o Sokratis Papastathopoulos tentar o seu segundo gol da noite que já embelezava o Capibaribe. 
Era dele a quinta cobrança grega.
Conste aqui que é completamente irrelevante essa última informação.
Mas não é todo dia que a gente digita um sobrenome desse.
Va lá até que seja um xará distante…
Por aqui, com a minha simpatia, apesar do baba...
Αντίο, Ελλάδα.

Foto: Ruben Sprich/Reuters