Uma arrancada de Messi a três minutos do fim. um golaço Di Maria (foto)
faz um golaço e derruba a Suiça na prorrogação. Argentina nas quartas.
A proporção para dizer que a Argentina faz uma bela copa do mundo é a mesma se você imaginar que todo argentino é portenho.
A Argentina não faz uma grande copa do mundo.
Portenho ou não, antes da copa qualquer hermano apostava malbecs com bife de ancho em los quatro fantásticos: Messi, Di Maria, Aguero e Iguain.
O futebol é cruel com previsibilidades e nunca se deu bem com bolas de cristal.
Dos quatro, apenas Lionel fazia atuações corretas até o embate contra os suíços pelas oitavas de final. Aguero tinha ficado pelo caminho, Higuaín continuava abaixo do esperado. Mas o confronto em Itaquera foi de redenção para Angel Fabian Di Maria.
Não fosse a jornada espetacular de Diego Benaglio, a dupla dinâmica - ou o que restou do quarteto - tinha classificado a argentina no tempo normal. Só que o Benaglio foi mais um arqueiro a se destacar nesta copa de gols e de goleiros. Vá entender.
Destaque do Wolfsburg na Bundesliga, o suíço de gelo fez a sua melhor partida em três copas do mundo no currículo e escreveu mais uma vez a palavra prorrogação em crônicas das oitavas.
Argentinos e suíços em São Paulo foram a mais 30 minutos de futebol.
Fazer o quê? Jogo em copa que fica na lembrança, tem que prorrogar.
E foi uma luta para vencer Benaglio, dono agora na história de quatro defesas dificílimas no duelo, principalmente contra os cérebros de Messi e Di Maria.
Mas era o jogo da redenção de Angel.
E foi com uma disparada criolla solta em arrabaldes ou periferias... em descampados.
Porque um dos lemas de compadritos das províncias argentinas, são exemplos de coragem e valentia.
É não desistir nunca. E decidir com altivez.
12 minutos do segundo tempo da prorrogação. A tensão, o medo do imprevisível, respirações presas e gritos entalados.
Rodrigo Palacio desarma bem e cria o contrataque na linha divisória.
O passe a Messi.
A bola do jogo é no pé dele. A arrancada de Lionel com a pelota, o toque preciso e mortal para Angel. O gol salvador. É como se alma pampera regesse o que cérebro pensa ao que perna corre.
Não é à toa a construção de jogada lembrar muito a arrancada de Ronaldinho na copa de 2002 ao entortar Ferdinand, Mills e Campbel em passe preciso, mortal para Rivaldo vencer o arqueiro inglês Seaman.
Não há supressa na jogada "papel carbono" 12 anos depois. Até porque a redundância está na imagem que se vê ao texto que se escreve.
Estava lá Ronaldinho, o gaúcho, o criollo.
Esteve cá Angel, o compadrito, criollo.
E o futebol serelepe, incansável de Angel Di Maria é autêntico, fundamental e se apresentou ao Mundial no Brasil.
Carrega na entranhas, o jeito criollo, libertário e persistente. Latino.
Jeito que só os compadritos encontrados nos pampas sabem descrever.
Bem que os suíços honraram a já tradição desta copa das seleções nunca desistirem, no caso deles tinha charme da data fechada dos 80 anos de participação em copas do mundo.
E foi assim, os derrotados de Itaquera caíram de pé com Blerim Dzemaili.
À frente de Sergio "chiquito" Romero, o atacante do Napoli acertou o posto direito já nos descontos do tempo extra. Era a última chance vermelha criada na última gota. No último instante antes do apito final.
Ficou cravado no placar um gol emblemático para a Argentina que segue. Argentina dos portenhos e compadritos.
Porque a vida é assim.
Uns tem Dzemali, outros tem Di Maria.
Só para olhos de quem ama o futebol.
É o segredo.
Vale a homenagem deste escriba aos incontáveis papos pampeiros desfilados em tardes e noites baianas com a jornalista "baúcha" Suzana Aguiar e com o argentino mais baiano que já conheci: o mestre Carybé.
Foto: Football 365

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