sexta-feira, 4 de julho de 2014

ALEMANHA DO PASSE, DA PEÇA, DA POSSE E DA PACIÊNCIA

Em sua melhor atuação na copa, zagueiro Mats Hummels repete jogada característica marca 
único gol sobre a França e carimba Alemanha na quarta semifinal consecutiva em mundiais 

Os treinadores Joachim Low e Didier Deschamps não pestanejaram nem marcaram touca.
Mudaram as escalações de Alemanha e França para o duelo a sol pleno do Rio de Janeiro pelas quartas de final da copa do mundo.
Low finalmente colocou Lahm na ala direita. Sacou Mario Gotze para a entrada de Miroslav Klose no ataque e montou o meio campo preferido do torcedor germânico e desse escriba com Sami Khedira, Bastian Schweinsteiger e Toni Kroos. 
Os bleus foram para a jornada com o excelente trio na meiúca mantido com Yohan Cabaye, Blaise Matuidi e Paul Pogba. E mexeu na frente com a saída de Giraud para a entrada do arisco Griezmann.
Primeira etapa do clássico europeu foi em alta rotação.
O destino do jogo começou a ser desenhado logo no início.
Aos 12 minutos, depois de um lá e cá provando que seria um jogão, foi na bola parada que a Alemanha alcançou a vantagem mínima e, por que não dizer, máxima.
Em cobrança de falta, Toni Kroos fez um cruzamento milimétrico na cabeça de Mats Hummels. No duelo de zagueiros e em jogada característica, o craque do Borussia Dortmund venceu Varane. Alemanha 1 x 0.            
Na frente do placar, os alemães bem postados no meio anulavam com ótima marcação as progressões de Matuidi e Pogba.
A França sentia o gol e buscava espaços. A saída eram os lançamentos longos e a boa movimentação de Mathieu Valbuena.
Foi assim que quase iria conseguir a igualdade, não fosse estupenda defesa de Neuer em chute o atacante do Olympique de Marselha.
Apesar da melhora do seu quadro, era visível a agonia de Deschamps.  
Apesar das investidas, a saída de bola dos azuis não conseguia soltar os talentosos, velozes e criativos Pogba e Matuidi. 
À frente se apresentava um adversário gélido. Por mais que o universo de um estádio, de um Rio de Janeiro no sol a pino de julho, e da fase aguda da copa exigissem um jogo com 40 graus à sombra.
Uma cena entre os tempos de jogo nos chamou a atenção. Pogba, a principal esperança francesa, terminava simbolicamente os 45 minutos iniciais com a bola nas suas mãos. Era a única posse real sobre a pelota que iria conseguir dali para frente.  
A simpática Alemanha do "Campo Bahia", dentro das quatro linhas cariocas era agora fria e carrancuda. Era a Alemanha onde a onça bebe água.
Porque Bastian Schweinsteiger, como de praxe, era monstro. Um esteio.
Porque Hummels era um xerifão na sua melhor apresentação na copa.
Porque Sami Khedira colocou a alma no bico da chuteira. 
A Alemanha buscava a posse, o passe e a paciência. 
Cadenciava a conquista da vaga.
Pela esquerda da frente francesa, os grandalhões Matuidi e Evra tentavam a invasão. E aí entre os paredões germânicos, aprecia um baixinho (gigante?) que estava gastando a bola e continuava implacável. Philipp Lahm estava em casa na lateral.
E era só no lançamento longo que a França conseguia a infiltração. Pogba estava anulado. Matuidi aparecia bem pela esquerda e tinha gás. Podia ser decisivo. 
Podia.
Porque aos 33 minutos da etapa final, em duelo de início de tarde calorenta, veio o nó tático de Joachim Low em Didier Deschamps.
Avançou o paredão de meio campo. A Alemanha marcava sem dar espaços à saída de bola.
Era a pregada de peça que faltava no jogo da paciência.
Foram poucas as chances do empate francês. 
Aos 35, um exausto Valbuena cobra a falta e no bate rebate, a bola passa raspando a meta.         
No contra-ataque, a Alemanha poderia ter definido a vaga com Shurrle. Perdeu gol feito.
E continuava no campo francês. Impedindo a ação adversária em criar as jogadas de velocidade.
Até o goleiro Lloris era marcado por Thomas Muller.
Uma tomada de espaço admirável, calculista, corajosa e decisiva.
Na única falha desse sistema do paredão de linha, apareceu o paredão no gol.
O estupendo Neuer em defesa de reflexo puro no chute de Karim Benzema.
Aos 48 minutos do segundo tempo.
Era o adeus dos Bleus.
Mais um selecionado a cair de pé, mesmo não tendo encontrado o seu futebol nesta sexta-feira ensolarada em um mítico Maracanã lotado.
Alemanha está na quarta semifinal consecutiva. 
Feito inédito em copas do mundo.
Com  passe, posse e paciência.
E uma pregada de peça preciosa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário