Ilustração: Baptistão
Vamos falar aqui de cartas na manga e cartas na mesa.
A seleção brasileira de Luiz Felipe Scolari decide o seu destino na Copa enfrentando uma equipe com 100% de aproveitamento.
A Colômbia finaliza pouco, 46 ações de ataque, e goleia muito, 11 tentos marcados.
A Colômbia não precisou de prorrogação nem pênalti para despachar o Uruguai. Isso diminuiu a sua numeração de desarmes em relação aos brasileiros.
O que dá, obviamente, a falsa impressão de superioridade do time de Scolari.
Ledo engano.
A Colômbia venceu os quatro jogos com eficiência do passe na linha de criação. Poucos, diga-se, mas o bastante para produzir velocidade no ataque.
E Pekerman soube montar, bem ao seu estilo, uma equipe que se movimenta com intensidade. A versatilidade de Cuadrado, a ótima copa de James Rodriguez e dois atacantes ariscos como Theo Gutierrez e Jackson Martinez prometem dores de cabeça para a defesa brasileira.
E não podemos esquecer. Jose Pekerman é técnico de futebol contemporâneo. Bem diferente do estilo conservador do Scolari Século XX.
Argentino, dirigiu a seleção do seu país em 2006 e é um estrategista. Por isso, podemos ter uma seleção colombiana completamente diferente do que vimos até agora. Jogadores atuando com funções diferenciadas não será novidade para este escriba.
São cartas na manga.
Essencial em profissionais de futebol... contemporâneos.
Por isso o Brasil vai ter que jogar muita bola.
Luiz Felipe deve escalar Fernandinho e Paulinho como volantes e fazer troca simples. Fernandinho mais recuado sendo o substituto real de Luiz Gustavo. Paulinho retorna na mesma função tática.
Agradar, não agrada. O vazio criativo do meio-campo brasileiro passa por uma baita melhora de produção de Oscar. Será fundamental para vencer o jogo.
Para que Oscar se torne o arquiteto das jogadas, tem que deixar de ser "babá" de Daniel. O mesmo vale para Hulk com relação a Marcelo.
Não esqueçam do gol marcado pelo Chile. Foi bem clara a disfunção no posicionamento do Hulk. E a falha bisonha bem característica de atacante no lugar errado.
Cauteloso, Felipe faz troca mínima. É o preço de contar, no banco e no time titular, com atletas que não estão rendendo na copa.
Mas não é só a baixa produtividade do elenco brasileiro que preocupa.
Taticamente, a seleção de Scolari não mostrou diversidade no esquema de sua equipe em campo nos quatro jogos que disputou.
São cartas na mesa.
Essencial para abrir os olhos de você, amigo leitor.
Técnicos como Low, Van Gaal, Deschamps e o próprio Pekerman guardam vários repertórios táticos no aproveitamento de jogadores tanto na linha como no banco de reservas durante as partidas.
Scolari não tem essa prática e adota um estilo que está ultrapassado. Não sabe aproveitar a experiência dos seus comandados.
Sim, porque o elenco canarinho tem vários jogadores que já venceram a Champions League, por exemplo. É um erro grotesco chamar esta seleção brasileira de “jovem”. Basta ver o currículo de cada um.
Seria o mesmo se passarmos na frente do zagueirão Yepes e gritássemos:
- El Chiquitito!
O becão do Atalanta, garantido como titular da seleção colombiana com 38 anos nas costas, ia ganhar o dia.
Que Neymar, na molecagem dos seus 22 anos, falte com o respeito e parta pra cima do “coroa” sem medo de ser feliz no Castelão.
É um ás solitário na falta de coringas na mão de Scolari.
E em quartas de final não cabem blefes.
Para que o sonho do hexa não desabe como um castelo de cartas.
Atualização às 15h50: Luiz Felipe escala Maicon. Daniel é barrado na lateral direita e fica no banco de reserva para o confronto contra a Colômbia
Ilustração: Baptistão/baptistao.zip.ne

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