sábado, 12 de julho de 2014

A CAIXA 107


A não ser que a final entre argentinos e alemães seja um espetáculo de botinadas, Brasil e Holanda disputam o “título” de seleção mais violenta da vigésima copa do mundo, daqui a pouco, no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília. 
Ao longo de seis jogos disputados, as duas seleções que definem a terceira colocação tiveram comportamentos bem parecidos no combate à criatividade de meio campo e ataque adversários.
Pelo lado brasileiro, jogadores como Luiz Gustavo, Fernandinho, Marcelo e Paulinho miraram mais pernas do que bola nos embates.
Luiz Gustavo foi o mais faltoso nessa escalação constrangedora para quem curte futebol bem jogado.
O mesmo pode se dizer de Blind, Indi, De Vrie e De Jong quarteto que abriu sua caixa laranja de ferramentas no torneio.
O Mundial premia quem procurou jogar bola. Alemanha e Argentina juntas cometeram 135 faltas. Hermanos com 64 e germânicos com 71 infrações. 
Só a Holanda fez 106.
Brucutu, o Brasil de Hulk bateu uma vez mais: 107.
Infelizmente, caro leitor, por mais que esse número lembre um placar que você queira esquecer.
Curioso é constatar que a seleção brasileira além de ser a que mais bateu, foi também a que mais apanhou: 109 faltas recebidas.
Mas vergonha mesmo é saber que quem vestiu este uniforme em 2014, apanhou na verdade foi da bola. 
E como é uma tremenda falta de respeito este jogo de terceira ser disputado em um estádio que homenageia Garrincha, nosso eterno anjo das pernas tortas. 
Esse apanhou muito de pernas de pau. Mas a pelota, conhecida entre os mais antigos como balão de couro, era o seu pincel e as quatro linhas, moldura para obras primas.

Ilustração: Casso

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