Sergio Romero defende dois pênaltis holandeses e coloca a
Argentina em uma decisão de copa do mundo pela quarta vez
Em um nove de julho, feriado da revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo.
Em um nove de julho, data da independência da Argentina.
Em campo, a força do melhor ataque das fases anteriores, o laranja, contra o selecionado mais disciplinado, o albiceleste.
Deu Argentina com todo o drama.
Com chuva, suor e lágrimas.
Depois de mais 120 minutos de bola rolando e de tiros livres da marca do pênalti.
O goleiro Sergio Romero, iluminado, pegou duas penalidades. Maxi Rodriguez converteu a quarta cobrança elevando compadritos e portenhos à sua quarta final em copas do mundo
Uma peleja com final imprevisível que, se não foi uma espetáculo de técnica, teve roteiro de semifinal.
E premiou a seleção que apresentou um futebol mais coletivo e afinado.
Porque a Argentina teve, ao lado da Alemanha, um dos melhores índices de aproveitamento de passe na competição.
Sabella adotou a cultura coletiva e a entrada de Biglia ao lado de Mascherano, deu consistência ao setor defensivo. E como perdeu Di Maria para as semi, sacrificou Lionel Messi mais recuado e com uma sombra, o grandalhão De Jong .
Como analisei em outra conversa, o dez hermano se espalhava mais em campo. Mas tinha a segurança na construção de jogadas e na proteção de Di Maria como volante, muitas vezes. Talento e tática foram perdidos com a ausência de Angel.
E para quem não acreditava, o sistema defensivo foi decisivo contra os apagados holandeses.
Robben até que tentou decidir nos minutos finais do tempo normal e da prorrogação. Mas lá estava o desarme espetacular do principal jogador na partida ao lado do arqueiro Romero e um dos preferidos do Papa Francisco: Javier Mascherano, absoluto.
A defesa latina levará para a final no Maracanã uma incrível invencibilidade de 373 minutos sem tomar gols com bola rolando.
O resultado de 4 x 2 nas penalidades leva a Argentina a repetir as finais de 1986 e 90 contra a Alemanha. Com um título para cada lado.
Será um revanche que premia quem passa mais e acerta.
Quem chega à final passe por passe ocupando espaços.
Um futebol estratégico.
Um futebol que deu certo nesta Copa, passo por passo até o duelo final.
No caso dos nossos vizinhos, com chuva, suor e lágrimas vencedoras de uma quarta-feira, nove de julho de 2014.
Em nove de julho nascia uma bela argentina, Mercedes Sosa.
Em nove de julho morria um belo brasileiro, Vinícius de Moraes.
Após o embate em Itaquera.
Se estivesse no estádio paulista, Mercedes que amava o Brasil, por certo adaptaria e soltaria a voz:
- Graças ao futebol que me deu tanto, me deu o coração que agita o seu marco.
Se estivesse na São Paulo chuvosa, Vinícius que amava a Argentina
brindaria os teus versos:
- São demais os perigos também no futebol para quem tem paixão.
E é um dever de toda seleção honrar o seu país com paixão e entrega.
Porque outro argentino escreveu um vez que o dever de todas as coisas é ser uma felicidade.
Foi Jorge Luis Borges que, aqui pra nós, odiava futebol.
A América vive na copa.
Parabéns, hermanos.

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