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terça-feira, 1 de julho de 2014

AQUI NA TERRA ESTÃO JOGANDO FUTEBOL

Pepe Guardiola deu sinal verde no Bayern. o goleiro Manuel Neuer 
é o líbero da Alemanha. Sim, ele é o cara de uniforme preto e azul que conseguiu parar Slimani e cia. 

Caros amigos, em uma Brasília seca, no calor em baixíssima umidade, França e Nigéria se pegam. 
É mais uma prova das oitavas de final.      
O nigeriano Eneyama tinha executado 21 defesas na vigésima copa do mundo.
Era uma da esperanças da sua torcida 
Mas goleiro para ser goleiro vive à beira do abismo.
E abismos existem no planalto central do país quando falamos em futebol
Para os goleiros eles aparecem quando não se pode errar.
Foi assim com Eneyama, um dos destaques da primeira fase do Mundial
A Nigéria segurou o empate contra uma França violenta até os 34 minutos do segundo tempo.
Até a saída em falso do arqueiro nigeriano depois do escanteio cobrado por Valbuena. Pogba
fez um cumprimento de cabeça. 1 x 0.
É justo discorrer a boa mexida de Didier Deschamps ao tirar um discretíssimo Giraud, irreconhecível.
Antoine Griezmann entrou, Benzama e Pogba cresceram e a França matou o jogo.
Porque foi em jogada aguda, tendo o bom atacante do Real Sociedad como coadjuvante, que Yoba se atrapalhou e marcou contra o patrimônio.  
O penúltimo dos africanos, capitulava.
É França que segue.
Alemães e argelinos fizeram história na segunda peleja do dia.
Era emblemático ver o encontro 32 anos depois do embate ocorrido em Gijon, na Espanha,  pela Copa de 82.
E foi bom ver uma página ser virada com futebol jogado em alta.
Se não bastassem os 90 minutos que assinaram o melhor 0 x 0 da copa, os goleiros dos dois selecionados estavam "virados do mói de coentro", como se canta e decanta na Bahia.
Em jornada inspiradíssima, o franco argelino Rais M'Bohli fazia milagres com as mãos.
O germânico Manuel Neuer aprontava diabruras com... os pés.
Sim, e não há novidade alguma. 
Pelo fato desta crônica está sendo escrita horas depois do encontro, no mínimo singular, na despedida do Gigante da Beira-Rio da copa, ouvi e li análises curiosas sobre a performance de Neuer em campo. 
Muitas acertaram na leitura do goleirão iconoclasta ser, nada mais nada menos, do que o líbero alemão. Mas também li, entre as barbaridades, que o time de Low estava perdido em campo. alguns chamando Neur de "doidão" e outros buscando explicações, no mínimo, divertidas.  
Característica natural da sua formação na excelente escola alemã, que só evolui, o arqueiro do Bayern de Munique recebeu antes do mundial voto de confiança de Pepe Guardiola para a execução de suas habilidades. Joaquim Low utilizou como arma o bom passe do arqueiro e a ótima antecipação que possui. No embate frente ao contra ataque argelino puxado por Feghouli e Slimani, Neuer usou da estratégia com maestria nove vezes. Isso mesmo, nove.
Do outro lado, o paredão da Argélia foi estupendo embaixo dos três paus. Defesa de tudo que é jeito para quem gosta de espetáculo. De pagar ingresso, Para sair bem na foto. Para colocar em molduras.
Mas goleiro que é goleiro sempre será um equilibrista.
E isso não muda seja à beira do abismo ou à beira rio.
Redenção e fracasso são as duas faces da moeda no futebol.
E para o goleiro é uma realidade cruel.
Porque o melhor 0x0 das copas reservou para Rais o gosto amargo da derrota nos trinta minutos finais  de uma prorrogação para entrar na história do mundiais.
Joaquim Low já tinha mexido sacando Mario Gotze. E a Alemanha mudou a estratégia. E a Alemanha foi pra cima. Logo aos dois  minutos do tempo extra em ótima construção do cada vez mais decisivo Thomas Mueller. Andre Shurrle respondeu ao chamado. O atacante do Chelsea derrubou o paredão.
Mesmo com performance abaixo da média, a tática germânica funcionava. Exauria o adversário e mudava o padrão de atacar. Sufocava quem já não tinha fôlego nem pernas. E o segundo gol era questão de tempo. Seja extra ou não. Ozil, mesmo com atuação mediana, apareceu bem pela esquerda e marcou o segundo. Isso aos 14 minutos da segunda etapa da prorrogação.
Quem achava que a conta estava fechada, Djabour assinou a atuação honrosa dos argelinos com justo tento nos descontos. Caíram lutando com bola na rede alemã.
Mas foi só uma vez e é Alemanha que segue.
Belos embates como esse ainda virão com os pés ou com as mãos nesta festa do mundo que já fez história.
Porque aqui na terra estão jogando futebol.

         
     


quarta-feira, 25 de junho de 2014

O RETRATO DO ARTISTA QUANDO CRAQUE



Argentina fecha fase de grupos com 100% de aproveitamento e Lionel Messi decola.

Há um poema essencial na obra de Manoel de Barros chamado “o retrato do artista quando coisa”.
Um dos grandes poetas vivos desse mundo desfila por lá versos como:
“Em mim funciona um forte encanto a tontos.
Sou capaz de inventar uma tarde a partir de uma garça…
Tenho um senso apurado de irresponsabilidades.
Não sei de tudo quase sempre quanto nunca.
Experimento o gozo de criar.”
No futebol, quase sempre você não sabe de tudo.
E é um palco de surpresas e emoções de se perder fôlegos.
Como os dois gols relâmpagos para Argentina e Nigéria.
A pancada de Angel Di Maria na trave, o rebote nos pés do mestre. Messi 1 x 0
Na copa dos gols, a Nigéria ainda não tinha sofrido nenhum. 
A surpresa um minuto depois, a bela construção nigeriana. O chute plástico do Musa vence Romero. Era o empate e o relógio não marcava cinco minutos de jogo.   
O Gigante da Beira Rio pintado de azul, com réstias aqui e ali de vermelho colorado; e pingos de verde vivo. Em um imenso tabuleiro de cores.
E para ser belo e contagiante, o futebol precisa de pinturas.  
Com a irresponsabilidade dos artistas, Lionel Messi já é arquiteto e artista de obras primas nesta copa do mundo. E provoca tonturas em encantos, como foi o segundo gol marcado.
Como uma pincelada visceral, o dez argentino retirou em mistura oposta nas paletas da firmeza e da suavidade a bola do retângulo verde e a deixou em suspensão, em parábola, em destino incerto para desavisados, certeiro para os encantados.
A explosão do artista, depois da obra assinada era como se quisesse alçar voo na invenção da tarde 
Era o gozo da sua criação.   
Na virada de tempo, Argentina na frente.
Mas a Nigéria é valente e tem o “Musa da Copa”.
Confusa, a defesa da Argentina destoa, se atrapalha. Novo empate verde.
Beira Rio, em Porto Alegre, e a Fonte Nova, em Salvador, faziam, em paralelo, um duelo narrado com ineditismo em copas. Qual será a Arena dos Gols?
O jogo simultâneo apontava Bósnia 3 x 1 Irã. Eram já 21 gols na Fonte.
Com o gol da vitória argentina, marcado de canela por Rojo, o Gigante gaúcho computa 19 tentos marcados após o 3x2. 
Dos três selecionados que já enceraram a primeira fase com cem por cento de aproveitamento, dois são da América do Sul. Argentina e Colômbia. O outro é a Holanda 
São cinco países do continente já classificados, mesmo número observado em 2010. 
Há um ditado bem conhecido no cone sul. “Deja todo en la cancha”. 
E um trio de hermanos daqui chama a atenção desse escriba. 
Chilenos, uruguaios e argentinos. Estão deixando tudo na cancha. No palco dos confrontos.  
Pela entrega real. E pelo final do poema que abriu essa crônica .
“Vou deixando pedaços de mim no cisco.
O cisco tem agora para mim a importância de catedral.”
Porque ciscos, fiapos e retalhos de raça, alma, empenho, honradez, garra por certo seriam encontrados no gramado das arenas após todo jogo latino. Se toda peleja fosse um poema de Manoel de Barros.
Nas jornadas argentinas, mais dois itens estariam esparramados por lá. 
O pincel e a paleta dos gols de Lionel Messi.