terça-feira, 8 de julho de 2014
8 DE JULHO DE 2014
Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. Semifinal da copa do mundo entre Brasil e Alemanha.
Perto da metade do primeiro tempo, em um intervalo de sete minutos,o sonho do hexa caiu na real. Um pesadelo histórico e humilhante.
Foi uma aula de futebol contemporâneo dada por uma Alemanha exuberante em Minas Gerais e ponto.
E foi uma cônica de um fracasso anunciado de uma seleção comandada por um treinador ultrapassado e sem repertório. Foi a atuação mais medíocre do selecionado brasileiro em toda a sua história.
Escrevemos em outras crônicas sobre a forma da Alemanha jogar. A determinação tática, a rotação triangular do seu meio-campo. As inversões perfeitas Khedira e dois cracaços de bola, Bastian Schweisteiger e Toni Kroos. A transformação em quarteto fantástico com a presença de Thomas Müller.
Não vou me estender. Basta o amigo leitor rever os gols decisivos para a construção do placar. Do segundo ao quinto em sete minutos. O 7x1 final foi pouco. Errou Luiz Felipe ao escalar Bernard? Leiam, por favor, a crônica “Quatro times e um desejo” escrita anterior ao jogo.
Em 30 minutos, voltamos 32 anos.
No intervalo desta humilhação de 2014, quando o placar já escancarava 5 x 0, construídos em um espaço de 30 minutos, lá estava um garotinho aos prantos na arena mineira
Lembrei das lágrimas mais famosas do futebol brasileiro. O menino de olhos perdidos, no dia 5 de julho de 1982. a seleção de Telê Santana perdia da Itália por 3 x 2 e estava fora daquele mundial .
A tragédia do Sarriá, o acanhado estádio espanhol, foi o começo de uma derrocada do futebol brasileiro.
A geração de Zico, Falcão e Sócrates afundava, mas ali também começava a capitular um modelo de administração desportiva arrojada, sob a batuta de Giulite Coutinho.
A partir dos fracassos de 82 e 86 entrava em cena, em 1989, a figura desprezível de Ricardo Teixeira, sob a tutela aristocrática de João Havelange.
Os párias tomaram o poder e construíram poderes encastelados, jogadores supervalorizados, cifras astronômicas. Superlativas. Foram criados em série dirigentes de clubes mal preparados. Ganância virou cultura. Administrações nebulosas se multiplicaram.
O formato administrativo e absolutista de grupelhos controlando o destino do que representa a paixão nacional persistia e ainda persiste com as figuras da administração atual da Confederação Brasileira de Futebol.
Duas copas do mundo foram conquistadas, sim. Mas os adjetivos foram exagerados para o futebol jogado.
Escondeu-se a morte anunciada.
E ela apareceu convulsiva na França 1998.
Em uma chuteira amarrada fora da hora na Alemanha 2006.
Em uma defesa bisonha na África do Sul 2010.
Falsos heróis, choros vazios, contas abarrotadas.
Em 90 minutos, um vexame em 100 anos
A aula de futebol da seleção alemã carimbou no uniforme verde e amarelo o maior vexame da seleção brasileira em 100 anos de história. E na copa disputada em território nacional.
Foi a maior goleada sofrida pela seleção, superando o placar de 1920. O Uruguai nos venceu por 6x0 no campeonato sulamericano em 18 de setembro daquele ano.
É a maior goleada até agora sofrida por um selecionado brasileiro em copas.
Uma das maiores na história dos mundiais
Se outras seleções caíram de pé nesta copa, como a Argélia, Chile, Colômbia e a Costa Rica, este futebol brasileiro foi enterrado em Minas Gerais.
Não é exagero e não é de hoje.
Não podemos esquecer dos passeios do Barcelona sobre o Santos - 4 x 0 na final do mundial de 2011 e 8 x 0 no amistoso de 2013.
Avisos, não.
A realidade nua e crua.
O desastre real de um modelo fracassado.
O sonho acabou e o pesadelo continua.
Resta buscar a dignidade, ainda que perdida.
Hora de mudar para renascer.
Porque este tipo de futebol brasileiro morreu em 08 de julho de 2014.
E não vamos esquecer jamais.
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Nossos garotos de ouro e nosso comandante Scolari, se procuraram muito em fazer comerciais, campanhas publicitárias, modinhas pra tv, participações pro Esquenta... E esqueceram de estudar os adversários, ter humildade de reconhecer que o oponente era mais forte e por isso merecia mais respeito e precaução. Jogamos de forma atabalhoada e mambembe. Parecia um baba. Tive pena das crianças chorando nos estádios. Eles sim não mereciam.
ResponderExcluirRepetimos 50, sem o direito a final, nem ao Maracanã superfaturado.
ResponderExcluirNão merecem, caro Pauo. E compactuo da opinião de que provisionais sérios no entorno do futebol têm que tomar as rédeas do debate. Como fizeram os próprios alemães em 2002 e revolucionaram a gestão do esporte no país.
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