quarta-feira, 7 de maio de 2014














O QUE VALE E O QUE PESA NOS 23 DE SCOLARI

Antonio Pastori

Faltando 36 dias para a copa, temos os 23 convocados por Luiz Filipe Scolari.
Apenas seis atletas têm experiência na disputa de um mundial: Julio Cesar, Dani Alves, Maicon, Thiago Silva, Ramires e Fred. 
Nenhum deles levantou a taça do mundo. 
A primeira lembrança que vem à cabeça desse escriba é a comparação entre 1994 e 2002. Cafu e Ronaldo carregavam a experiência do titulo conquistado nos EUA quando chegaram em solo oriental e trazendo ainda na bagagem ainda os insucessos na França e na Alemanha.
Isso pesa?
Pesa.
É determinante para um título?
Claro que não.
O que explica, em tese, a preferência por deixar Robinho de fora. Esse virou figurinha.
Outro dado importante, antes de analisar o perfil desta seleção brasileira de 2014, uma mudança que pode equilibrar essa inexperiência do grupo. Em 1994, onze dos convocados jogavam em território brasileiro. Em 2002, eram doze. Para 2014, apenas os goleiros Vitor e Jefferson e os atacantes Fred e Jô correm atrás da bola por aqui.
Mas como diz o caro André Abujrma, “O mundo é pequeno pra caramba". Dezenove cidadãos do mundo estarão vestindo a amarelinha. Além de lugares tradicionais para a bola redonda, como Espanha, Itália, Inglaterra e Alemanha, tem gente no Canadá, tem gente na Rússia...
Isso pesa?
Pesa.
É determinante para um título?
Claro que não.
A seleção é jovem. Jovem demais, cá pra nós.
Mas juventude hoje no futebol significa aproveitamento. Gente que está chegando no ápice cedo demais e, observem, o mais velho é o mais contestado. O Júlio Cesar, 34, o cara que está jogando “babas” em Toronto.

E não faltam trintões com cara de garoto como os baianos Dante e Daniel Alves ou o paulista Vítor e o mineiro Fred
Além disso, idade nunca foi documento em futebol. A maior prova é um rapazinho em 1958 que levantou a taça na Suécia, logo depois de sair da adolescência. Chamava-se Edson Arantes do Nascimento, 17 anos na época. Mas não era só ele, Vavá tinha 23 anos, Mazola tinha 19, Garrincha, 25 incompletos.
Por outro lado, um time de medalhões brasileiros como o de 1970 encantou o mundo. Como a Alemanha de 1970 a 1982 envelheceu o grupo indo para semifinais e finais. A Holanda de 74 e 78, a mesma análise.
Isso pesa?
Pesa.
É determinante para um título?
Evidente que não.
Mas vamos lá para os convocados de Scolari:
Entre os goleiros, Vitor e Jeferson pertencem a qualquer seleção de analíticos. Julio Cesar, o rapaz queridinho, pelo menos, da mídia carioca e que joga lá emocionantes partidas do campeonato canadense é um absurdo. Fábio, do Cruzeiro, era merecedor.
Os zagueiros são versáteis e podem ser o diferencial nesta copa. Dani Alves, Maicon, Thiago, David, Dante, Marcelo e Maxwell. Todos eles jogam em mais posições do que muita gente imagina.
Faltou o Henrique? Faltou. Este escriba preferia o Miranda. Mas fazer o quê? O rapaz do Napoli é líder de turma na escolinha do Scolari. A promessa deve ter sido feita antes. Henrique é bem menos zagueiro do que Miranda, Rever e Dedé.
O meio campo tupiniquim para a copa fala diversas línguas, mas traz uma predominância, digamos, “Highlander”.
Ali está o termômetro do que pode ser este grupo no mundial
Leia-se Chelsea - Ramires, William e Oscar.
De quebra temos de carona Tottenham e City. Do último vem um cara que pode arrebentar: Fernandinho.
Henandes? Boa escolha. A temporada na Internazionale contou
Vamos aos caras da frente. É um setor que preocupa a esse escriba cheio de perguntas. Depender só do Neymar? O Fred vai estar 100%? O Hulk vai encontrar a regularidade? O Bernard reencontrará seus tempos de Galo? O Jô será a jóia escondida?
Confesso que não são apenas essas as indagações desse analista distraído e cético. A Copa do Mundo 2014 em simulação já feita, será uma das mais difíceis para uma seleção brasileira de futebol.
Pelo menos seis jogadores imprescindíveis para Scolari (e milhões de brasileiros que curtem esta competição) chegarão a metade de maio no “bagaço”.
Vão ter tempo e cabeça para se renovarem e disputarem um belo mundial?
Perguntas, perguntas que disparam em milhares de mentes de especialistas com o seu ofício da crítica neste mundo da bola...
Isso pesa?
Pesa.
É determinante para um título?
Óbvio que não.
Por que?
Porque o futebol, por ser encantador e imprevisível, é uma das grandes invenções da humanidade.
Isto quando é bem jogado. Ali, decidido nas quatro linhas. Como arte e do espírito esportivo de louvar o improvável ou quedar-se ao fantástico. Ao espetacular. Ao maravilhoso.
Por mais que se jogue contra, hoje em dia, é isso que a gente espera.

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