O campeão Real
Embate disputadíssimo em Lisboa em típico clássico madrileno na final da Champions League.
Nos 45 iniciais, falha bizarra de Iker Casillas deu vantagem mínima ao Atletico em tento marcado pelo uruguaio Diego GodÍn.
Contrataque do Real não funcionava, à exceção de chances desperdiçadas por Bale.
Português Cristiano Ronaldo, visivelmente abaixo da sua condição física, estava irreconhecível.
Bem postado em campo, à medida que o relógio avançava, Atletico dos ótimos Koke e Gabi ia ficando perto da "orelhuda", como é conhecida a taça mais cobiçada da Europa.
Vale apontar aqui a boa participação dos brasileiros Miranda - não fosse ele, finalização do Bale poderia ter sido mortal - e a disciplina tática de Filipe Luís em campo. Um monstro na marcação, com 83% de aproveitamento no passe, até os 82 minutos quando foi substituído por Alderwired.
Foi bom assistir senso de pontaria do Cristiano nas bolas paradas frente ao excelente Thibaut Courtois. Paredão belga é titularíssimo no Mundial de Seleções que vem aí.
Acertou Carlo Ancelotti colocando alma e velocidade com Isco e Marcelo. O futebol do croata Luka Modric cresceu.
Futebol do excelente argentino Di Maria, também.
Mas Cristiano continuava encolhido, preso, medíocre.
Como era abaixo do esperado, até então, a final.
Em proporção inversa ao orelhudo Godín.
A taça ia para boas mãos graças a garra fantástica simbolizada pelo uruguaio.
E por Koke, Gabi, Godin, épicos, nomes de heróis já desenhavam o texto deste escriba.
Mas os merengues tinham Sérgio Ramos.
Aos 48, outro gol de zagueiro e o Real empatava.
Um nocaute, como veremos a seguir.
No final a decisão ganhava cara de decisão.
E de prorrogação.
Que mostrou no seu primeiro giro, o Real mais encorpado.
Mas o Cristiano se arrastava. O Real era pressão, mas não finalizava. Porque o único setor que funcionava no adversário era a defesa.
E a taça continuava dividida. Só se sabia que o destino era Madrid.
Em 105 minutos, vimos equilíbrio. Falamos em excelência e heroísmos.
E em belas finais de futebol, esses ingredientes são indispensáveis.
E decisivos.
São características que jogadores como Sergio Ramos e... Di Maria, o anjo infernal, carregam.
Como também é decisiva nessas horas fantásticas, a prepararação psicológica.
Em 15 minutos, com sincero perdão ao leitor, o nocauteado Atletico caiu na real.
Também escrevemos sobre a arma mortal do Real Madrid. E ela, infalível, veio.
O contrataque saiu com o argentino Angel Di Maria atropelando o combalido lateral Juanfran.
O Atletico cambaleante. Bale em cabeceio, 2x1.
O Atletico extenuado. Marcelo, cabeludo danado. Real, 3x1.
O Atletico, muerto. "meio" Cristiano, com um pé só, em penalidade máxima: Real 4 x 1.
Historicamente, de forma incrível, o Atlético sofre derrota semelhante 40 anos depois.
Aos comandados de Ancelotti, "La decima" é o que importa.
Um campeão real.
Thiago fora
Notícia triste para os amantes do futebol: Thiago Alcântara, naturalizado espanhol, está fora da Copa do Mundo. Um lance estúpido gerou contusão e tirou o bom meia do Bayern da seleção espanhola.
Foto: Bild
E podem vir mais
Já temos pelo menos dois azarões nas oitavas de final da Copa do Brasil.
Duas dessas equipes vão garantir vagas no afunilamento da copa e vão estar entre os 16 classificados. São eles: Novo Hamburgo (RS), Botafogo (PB), Santa Cruz (PE), Santa Rita (AL) e ABC (RN). Novo Hamburgo e ABC já estão definidos como adversários na terceira fase. O time alagoano do Santa Rita aguarda o classificado do embate entre Santa Cruz x Botafogo. Primeiro confronto terminou empatado em 1x1. Além do regulamento interessante, o charme da copa está aí. Na oportunidade que dá a equipes de outras séries a buscar título nacional e vaga na Libertadores. A exceção poderia ser atribuída ao Santa Cruz, time tradicional pernambucano. Mas o histórico recente do Santinha, infelizmente, o coloca nesta categoria. Isso sem contar em outras surpresas que podem acontecer durante a terceira fase que será disputada depois da copa do mundo.
Disciplina é arma contra encrenca
Antonio Pastori
Cortejado pelo Palmeiras, mas dependendo de decisões provincianas, Ney Franco foi superior taticamente ao seu pupilo Marquinhos Santos, do Bahia. Mas só na tática.
Porque ainda não venceu um Ba-Vi no placar, este último valendo pela quarta rodada do campeonato brasileiro.
As duas equipes baianas entraram na Fonte Nova em rota de confirmação ao bom início na competição e de mostrar a filosofia renovada dos seus treinadores, cultura que tanto o futebol brasileiro precisa.
Disciplina tática e movimentação não faltaram nos 45 minutos iniciais.
Qualidade técnica mediana das duas equipes também.
Bahia sem centroavante.
Vitória, também. Até os 39 minutos. Sim, porque a nulidade de Souza foi flagrante até esse giro. Contou com a sorte. Bola parada, tropeção de Lomba em Demerson. Vitória 1 X 0
Apesar da falta sentida do Lincoln, jogador que sabe fazer o esquema rotativo de armação de jogadas, Bahia chegava bem, mas só pelo lado direito. Pará, acanhado, não se apresentava pela ala esquerda. Mas seria só por 88 minutos. Vocês vão ver.
Quando o Bahia chegou por lá com Branquinho, Max, com perdão da quase redundância, passou em branco.
Depois do gol, Vitória cresceu. Marquinhos e Alemão (em boa estreia), destaques.
Primeiro tempo equilibrado. Não fosse o tropeção do Lomba, o empate era a fotografia do que vimos.
Se o Bahia de Marquinhos Santos sentiu e muito as ausências de Diego, Lincoln e Rhayner, o Vitória de Ney Franco respondeu como se faz: Reposição.
E se tinha encaixado o bom Caio nessa filosofia, apresentou três novos soldados hoje:
Josa e Léo Costa foram bem batizados.
E com Alemão não teve conversa na zaga.
A princípio, o bom zagueiro que o Vitória contratou mostrou como se comporta o atleta brasileiro que percorre equipes na busca de lugar ao sol, sob comando arejado de um bom treinador: Disciplina, profissionalismo, disposição e garra.
Características que correm longe de jogadores como Uelinton e Souza. Ainda vão dar muitas dores de cabeça às suas equipes com expulsões ridículas e comportamento como o visto hoje na Fonte Nova. Risível.
Outra falha de goleiro, desta vez de Wilson, daria ao Ba-Vi a justiça do empate.
E que veio com aquele que, destaque do Bahia no campeonato, estava devendo.
Talisca? Não. O escriba aqui nunca foi em onda de senso comum.
O destaque do Bahia no Brasileiro é o ala esquerdo Pará. E foi dele que veio a justiça da igualdade, em belíssimo tento, após infiltração aguda e sem perdão.
Quando o mediano Talisca já tinha saído.
Um pra lá. outro pra cá. E tudo bem.
Enfim, o clássico empolgou? Não. O segundo tempo, então, foi fraquinho, fraquinho. Mas, pelo menos mostrou que Bahia e Vitória vão vender caro ameaças de rebaixamento.
E, quem sabe, sonhar com voos mais altos neste sempre encrencado campeonato nacional.
Vai depender e muito de pelo menos um detalhe: até quando a filosofia e a disciplina desses dois bons técnicos vão perdurar.
O QUE VALE E O QUE PESA NOS 23 DE SCOLARI
Antonio Pastori
Faltando 36 dias para a copa, temos os 23 convocados por Luiz Filipe Scolari.
Apenas seis atletas têm experiência na disputa de um mundial: Julio Cesar, Dani Alves, Maicon, Thiago Silva, Ramires e Fred.
Nenhum deles levantou a taça do mundo.
A primeira lembrança que vem à cabeça desse escriba é a comparação entre 1994 e 2002. Cafu e Ronaldo carregavam a experiência do titulo conquistado nos EUA quando chegaram em solo oriental e trazendo ainda na bagagem ainda os insucessos na França e na Alemanha.
Isso pesa?
Pesa.
É determinante para um título?
Claro que não.
O que explica, em tese, a preferência por deixar Robinho de fora. Esse virou figurinha.
Outro dado importante, antes de analisar o perfil desta seleção brasileira de 2014, uma mudança que pode equilibrar essa inexperiência do grupo. Em 1994, onze dos convocados jogavam em território brasileiro. Em 2002, eram doze. Para 2014, apenas os goleiros Vitor e Jefferson e os atacantes Fred e Jô correm atrás da bola por aqui.
Mas como diz o caro André Abujrma, “O mundo é pequeno pra caramba". Dezenove cidadãos do mundo estarão vestindo a amarelinha. Além de lugares tradicionais para a bola redonda, como Espanha, Itália, Inglaterra e Alemanha, tem gente no Canadá, tem gente na Rússia...
Isso pesa?
Pesa.
É determinante para um título?
Claro que não.
A seleção é jovem. Jovem demais, cá pra nós.
Mas juventude hoje no futebol significa aproveitamento. Gente que está chegando no ápice cedo demais e, observem, o mais velho é o mais contestado. O Júlio Cesar, 34, o cara que está jogando “babas” em Toronto.
E não faltam trintões com cara de garoto como os baianos Dante e Daniel Alves ou o paulista Vítor e o mineiro Fred
Além disso, idade nunca foi documento em futebol. A maior prova é um rapazinho em 1958 que levantou a taça na Suécia, logo depois de sair da adolescência. Chamava-se Edson Arantes do Nascimento, 17 anos na época. Mas não era só ele, Vavá tinha 23 anos, Mazola tinha 19, Garrincha, 25 incompletos.
Por outro lado, um time de medalhões brasileiros como o de 1970 encantou o mundo. Como a Alemanha de 1970 a 1982 envelheceu o grupo indo para semifinais e finais. A Holanda de 74 e 78, a mesma análise.
Isso pesa?
Pesa.
É determinante para um título?
Evidente que não.
Mas vamos lá para os convocados de Scolari:
Entre os goleiros, Vitor e Jeferson pertencem a qualquer seleção de analíticos. Julio Cesar, o rapaz queridinho, pelo menos, da mídia carioca e que joga lá emocionantes partidas do campeonato canadense é um absurdo. Fábio, do Cruzeiro, era merecedor.
Os zagueiros são versáteis e podem ser o diferencial nesta copa. Dani Alves, Maicon, Thiago, David, Dante, Marcelo e Maxwell. Todos eles jogam em mais posições do que muita gente imagina.
Faltou o Henrique? Faltou. Este escriba preferia o Miranda. Mas fazer o quê? O rapaz do Napoli é líder de turma na escolinha do Scolari. A promessa deve ter sido feita antes. Henrique é bem menos zagueiro do que Miranda, Rever e Dedé.
O meio campo tupiniquim para a copa fala diversas línguas, mas traz uma predominância, digamos, “Highlander”.
Ali está o termômetro do que pode ser este grupo no mundial
Leia-se Chelsea - Ramires, William e Oscar.
De quebra temos de carona Tottenham e City. Do último vem um cara que pode arrebentar: Fernandinho.
Henandes? Boa escolha. A temporada na Internazionale contou
Vamos aos caras da frente. É um setor que preocupa a esse escriba cheio de perguntas. Depender só do Neymar? O Fred vai estar 100%? O Hulk vai encontrar a regularidade? O Bernard reencontrará seus tempos de Galo? O Jô será a jóia escondida?
Confesso que não são apenas essas as indagações desse analista distraído e cético. A Copa do Mundo 2014 em simulação já feita, será uma das mais difíceis para uma seleção brasileira de futebol.
Pelo menos seis jogadores imprescindíveis para Scolari (e milhões de brasileiros que curtem esta competição) chegarão a metade de maio no “bagaço”.
Vão ter tempo e cabeça para se renovarem e disputarem um belo mundial?
Perguntas, perguntas que disparam em milhares de mentes de especialistas com o seu ofício da crítica neste mundo da bola...
Isso pesa?
Pesa.
É determinante para um título?
Óbvio que não.
Por que?
Porque o futebol, por ser encantador e imprevisível, é uma das grandes invenções da humanidade.
Isto quando é bem jogado. Ali, decidido nas quatro linhas. Como arte e do espírito esportivo de louvar o improvável ou quedar-se ao fantástico. Ao espetacular. Ao maravilhoso.
Por mais que se jogue contra, hoje em dia, é isso que a gente espera.